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16/06/2013

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Fernando Haddad e a militância digital

Posted: 16 Jun 2013 12:15 PM PDT

Entrevista exclusiva com o prefeito Fernando Haddad, Veja mais em www.jornalggn.com.br

13/06/2013

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Prefeito de Cantagalo-Pr, abre mão de veículo exclusivo por van equipada para a saúde

Posted: 13 Jun 2013 10:35 AM PDT

Cantagalo - Executivo abre mão de veículo exclusivo por van equipada para a saúdeFiat Ducato terá 16 lugares e será destinada a transportar pacientes que fazem tratamentos de saúde fora do município.

Everson Konjunski salienta que é um gesto muito simples se comparado ao benefício que o novo veículo trará para a população cantagalense.

O prefeito Everson Konjunski destinouo veículo de uso exclusivo do executivo municipal, uma camionete S10 para compra de uma van Fiat Ducato, que será destinada à secretaria de Saúde do município. Conforme o prefeito repassou em primeira mão, a van terá 16 lugares, ar condicionado, tela com DVD e deverá chegar nos próximos dias. "Não é esforço algum. Estou trocando um veículo que estava a serviço de uma pessoa só e de uso exclusivo do prefeito, por um veículo que estará a serviço de centenas de pessoas que precisam de conforto para irem todos os dias realizar seus tratamentos de saúde", comentou.

Everson salientou ainda a economia para os cofres públicos, já que a S10 estava fazendo em média5km/litro de combustível. "Um veículo novo, com espaço amplo e com comodidade atenderá as expectativas dos pacientes que terão conforto e satisfação durante suas viagens. Quem necessita e deve ter conforto é o povo e não o prefeito que é funcionário de toda a população. Eu jamais ousaria em adquirir um veículo luxuoso para meu uso exclusivo e deixar inúmeras prioridades e reivindicações da população em segundo plano. O dinheiro do povo é um dinheiro sagrado e deve ser bem empregado", afirmou o prefeito.

Por Camille Prestes

11/06/2013

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Como se produz um escândalo?

Posted: 10 Jun 2013 03:40 PM PDT

Por Marcos Peixoto
1) Comece do nada. Crie tudo do zero – estes são os melhores escândalos!
2) Transforme o dedo-duro do momento (alguém com óbvios e diretos interesses na questão) em pessoa absolutamente isenta e confiável.
3) Não existe outra versão para a estória. A única aceitável será a do dedo-duro.
4) Outras versões devem ser desprezadas, de preferência omitidas – no máximo, tratadas com ironia ou sarcasmo.
 5) Preferencialmente, conte com elementos simpáticos à versão dentro do Poder Judiciário. Se não for possível, pra começar, serve no Ministério Público.
 6) Desvista a questão de seu caráter político. Defenda até o fim que a questão é exclusivamente ética, e o dedo-duro é seu maior representante na terra.
7) Trate a questão como essencial e urgente à salvação da pátria, o tema mais relevante do momento.
 8) Os apresentadores, quando ao tema se referirem na TV, devem fazer ar de tristonhos, de desagrado, de leve repreensão.
9) Sempre que possível, estampe nos jornais fotos dos citados pelo dedo-duro com a boca torta, cabelos desgrenhados, de saia e com as pernas abertas, coçando o saco, etc.
 10) Mantenha o escândalo criado – ou ainda que embrionário – nas manchetes enquanto for possível.
Isto fará com que, ao menos naquele período, os VERDADEIROS ESCÂNDALOS sejam esquecidos, seus crimes prescrevam, suas tramoias sejam completadas, suas provas bem escondidas.
Marcos Peixoto é juiz de direito do TJ/RJ e membro fundador do Instituto de Estudos de Direito Crítico (IECD).

29/05/2013

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Alô Polícia Federal, segue mapeamento da ação na Internet contra o Bolsa Família

Posted: 28 May 2013 04:41 PM PDT

A Interagentes é uma empresa especializada em análise de redes que trabalha em parceria com a Publisher Brasil, editora responsável pela Fórum. Seu responsável técnico é o sociólogo Tiago Pimentel, que acaba de me enviar um relatório produzido a partir da análise que realizou dos termos relacionados ao Bolsa Família, nos dias em que houve a boataria que levou milhares de pessoas às agências da CEF. A análise do Tiago corrobora a tese de que houve uma ação offline antes da história ganhar a rede. Segue o relatório da Interagentes com o incremento de algumas observações realizadas por este blogueiro.

Atividade suspeita na rede

Desde a quarta-feira (15) circulava no Twitter uma mensagem curta e enigmática: 'Bolsa família começa sexta'. A mensagem, que dizia apenas isso, foi postada por um perfil que vamos denominar aqui de líder e foi retuitado por 14 outros perfis que pareciam pertencer a uma rede de perfis falsos destinados a retuitar todas as mensagens do perfil líder, cujos indícios apontam ser  da Paraíba. Curiosamente, a Paraiba é o mesmo Estado que, dias depois, voltaria a aparecer em nossa pesquisa como o primeiro a espalhar os boatos do fim do Programa Bolsa Família.

Os perfis dessa rede não estão sendo revelados porque a suspeita não comprova o crime e também por zelo à investigação que a Polícia Federal deve estar realizando, mas caso haja interesse de agentes públicos sobre o que foi apurado, a Interagentes se compromete e entregar os resultados deste trabalho.

A mensagem original do perfil líder foi postada na quarta-feira (15)às 18:39:40, portanto três dias antes do início da grande movimentação nas agências da Caixa Econômica Federal. Ainda mais intrigante é que depois dos boatos o perfil líder foi deletado do Twitter e reapareceu no último dia 25 com o número 1 acrescentado ao seu nome e iniciou a rearticulação da sua rede fake. Só para recordar, na quarta-feira, o perfil líder anunciou: "bolsa família começa na sexta". E a boataria começou na sexta, mas não pela internet.
Alguns dados gerais

As buscas retornaram um total de 81.452 ítens, sendo 58.118 resultados do Twitter e 23.334 resultados do Facebook. Os dados da pesquisa corroboram as informacões de saques feitos nas agências divulgadas pela Caixa Econômica Federal. Segundo a CEF, o aumento no ritmo de saques só começou por volta das 13h do sábado (18/5). Os resultados da análise da disseminacão do boato nas redes confirmam os dados da Caixa.

Até as 13h do sábado (18/5), a média era de 74,9 mensagens por hora. Entre às 13h e a meia-noite esta média sobe para 196 mensagens por hora. O pico é por volta das 22h, com 744 mensagens/hora.
O boato aparece no monitoramento por volta das 8h do sábado (18) em uma postagem feita a partir do município de Cajazeiras, na Paraíba. Ainda que as primeiras mencões apareçam no início da manhã, a sua presença na rede passa a ser mais significativa a partir das 13h, com disseminacão especialmente a partir do município do Rio de Janeiro.

Citações ao Bolsa Família – Facebook – (por hora)

Citações ao Bolsa Família – Facebook

Citações ao Bolsa Família – Twitter – (por hora)

Citações ao Bolsa Família – Twitter

Ainda que nos dias precedentes mensagens suspeitas tenham aparecido e que ecos do boato tenham se feito sentir nas redes, a análise geral dos dados sugere que as redes não foram o lugar privilegiado da disseminação. A maior movimentacão se deu por conta dos comentários sobre a grande concentração de pessoas nas agências da Caixa Econômica Federal e nas casas Lotéricas. O que mais se espalhou nas redes não foi o boato, mas a repercussão dos seus efeitos nas ruas.

Ao longo dos dias seguintes a repercussão do caso levou a picos cada vez maiores. No domingo (20) na faixa das 20h às 21h registrou-se o ponto máximo na frequência de mensagens/hora: 3.707 postagens. Neste horário grandes veículos de comunicação tratavam do tema.

A repercussão do boato do fim do Bolsa Família

Após os relatos de tumultos nas agências da CEF houve uma rápida difusão de "memes" sobre o caso. Na segunda-feira (20) a página do Anonymous Brasil no Facebook postou um meme que conta com mais de 71.000 compartilhamentos. Um dia depois a página 'Movimento Contra a Corrupção' posta o mesmo meme e alcança outros 35.334 compartilhamentos. Ainda na terça-feira (21) a página 'Controlados, não' também posta o mesmo meme e alcança ainda outros 17.198 compartilhamentos.

originalmente postada pela página Anonymous Brasil, esta imagem ultrapassou os 123.500 compartilhamentos

Outro meme de destaque no período foi postado pela página 'Rede Esgoto de Televisão' e, até o fechamento desta pesquisa contava com 47.649 compartilhamentos.

apenas a partir da página 'Rede Esgoto de Televisão' esta imagem ultrapassou os 47.600 compartilhamentos

Ainda em destaque, a charge postada pela página 'A Verdade Nua & Crua' contava com 45.775 compartilhamentos.

apenas a partir da página 'A Verdade Nua & Crua' esta charge ultrapassou os 45.750 compartilhamentos

Links para matérias externas

Várias matérias sobre a repercussão dos boatos foram compartilhadas nas redes sociais. Entre elas destacam-se matérias do Estadão e do portal G1.

A matéria do Estadão 'Postos da Caixa são destruídos no Maranhão' alcanćou, entre Twitter e Facebook, mais de 1.200 compartilhamentos.

Do G1, a matéria 'Governo federal desmente boato sobre suspensão do Bolsa Família' alcanćou mais por volta de 5.500 compartilhamentos.

Também do G1, a matéria 'Boato sobre Bolsa Família chegou a ao menos 12 estados, diz ministério' alcançou repercussão ainda maior, por volta de 5.900 compartilhamentos.

A matéria do Estadão 'Boato sobre Bolsa Família é 'desumano' e 'criminoso', diz Dilma' teve por volta de 500 compartilhamentos.

No mesmo período, a nota do Ministério do Desenvolvimento Social postada na página oficial do Facebook alcançou 342 compartilhamentos.

Notícias positivas

Antes dos boatos sobre o fim do programa algumas notícias positivas a respeito do Bolsa Família vinham sendo compartilhadas nas redes. Entre estas, três merecem destaque:

A matéria do Estadão 'Estudantes do Bolsa Família têm aprovação maior' que alcanćou por volta de 1.500 compartilhamentos.

A matéria do O Globo 'Alunos do Bolsa Família têm aprovação acima da média' teve um alcance um pouco maior, por volta de 1.600 compartilhamentos.

Do site da Revista Fórum, a matéria '1,69 milhão de famílias abrem mão do Bolsa Família' teve próximo de 1500 compartilhamentos e 49 mil curtidas.

 

Um outro boato

Embora as buscas visassem encontrar referências explícitas ao boato do fim do Bolsa Família, a análise dos resultados trouxe dados sobre outro boato sobre os programas sociais do Governo Federal. No dia 10 de maio, no blogue de Joselito Müller, aparece uma postagem sobre a suposta aprovação de um auxílio (de R$ 2.000,00) para garotas de programa.

O post foi reproduzido em outros blogs (entre eles: o alertanotícias e oprimeiroencontro).

A falsa notícia atribuia à senadora Ana Rita (PT-ES) a autoria do projeto. A senadora publicou em seu site uma nota de esclarecimento desmentindo as informações. A senadora relata ter tomado as providências cabíveis junto à Procuradoria Geral do Senado, à Polícia do Senado e à Polícia Federal. Ana Rita é presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado.

Após a publicaćão da nota de esclarecimento da Senadora, Joselito Müller alterou em seu post o nome da suposta autora do projeto para Maria Rita e fez um novo post em que admite cinicamente ter sido leviano. Isso não foi suficiente para impedir a disseminação da falsa notícia. Apelidado pejorativamente de 'bolsa prostituta', a falsa notícia continua a se espalhar pelas redes. Apenas a postagem da página 'ENQUANTO ISSO NO BRASIL' no facebook, feita dois dias depois de Joselito publicar seu desmentido, conta com 852 compartilhamentos.

Fora dos picos do boato da última semana há um grande volume de comentários nas redes sobre os programas sociais do Governo Federal. Boatos são entrelaçados às notícias e sobram comentários críticos e preconceituosos ao que se entende por 'assistencialismo' dos programas sociais. São merecedores de menção os comentários sobre 'Bolsa Crack', 'auxílio reclusão, 'auxílio garota de programa', etc.

Metodologia

Buscou-se, tanto no Twitter quanto no Facebook, citações públicas ao termo 'bolsa família'. Os dados foram coletados das 0h hora da quinta-feira (16/5) até às 23:59 da quinta-feira (23/5). O período, exatos 8 dias, inicia-se dois dias antes dos primeiros saques do Bolsa Família, cobrindo o provável período de criação e disseminação do boato sobre o fim do programa.

27/05/2013

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O barraco dos senadores

Posted: 27 May 2013 07:58 AM PDT

Por Os Amigos do Presidente Lula

ChargeBessinha_RaboPSDBDepois de se envolver em uma briga com Antônio Carlos Magalhães que lhe custou o mandato de senador, em 2000, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) protagoniza agora outra refrega, desta vez com o colega Mário Couto (PSDB-PA), que marca sua atuação por acalorados discursos em que denuncia supostos casos de corrupção.

A ira de Jader teve início depois que Couto usou a tribuna para atacar seu filho. O peemedebista mobilizou seu grupo político e aprovou, quarta-feira passada, na Assembleia do Pará, uma CPI para investigar desvios no Detran local, cujo alvo seria  o tucano Mario Couto.
O ataque ao senador tucano ganhou as páginas do jornal de propriedade de Jader. Couto criou, em 2012, um time de futebol, a Associação Atlética Santa Cruz, de Salinópolis, cuja folha salarial chegaria a R$ 400 mil, com centro de treinamento que se equipara ao de grandes clubes do eixo Rio-São Paulo. Para abrilhantar o time, Couto, que é presidente de honra e patrono da agremiação e dá nome ao estádio local, contratou ex-jogadores de equipes paulistas.
Segundo a denúncia, o senador teria indicado para trabalhar no Detran do estado ou nas Ciretrans as esposas desses atletas, depositando na conta delas o salário milionário dos craques.
A filha do senador tucano, Cilene Couto, que é deputada estadual pelo PSDB, também não se deu por vencida e saiu em defesa do pai, propondo outra CPI na Assembleia Legislativa, praticamente com o mesmo objetivo dos “jaderzistas”: investigar o Detran, com a diferença de que as investigações tenham como foco a administração da ex-governadora Ana Júlia Carepa (PT), entre 2007 e 2010, quando o PMDB dominava o Departamento de Trânsito.
Mas a CPI de Jader, já instalada, acabou caindo nas mãos dos aliados do senador.  Dos cinco indicados, três são ligados ao governador Simão Jatene (PSDB), incluindo o presidente e o relator. A CPI proposta por Cilene já tem número suficiente de assinaturas e integrantes indicados, e só falta ser instalada – o que deve ocorrer nesta semana.

Por que a Suécia está em chamas

Posted: 27 May 2013 07:44 AM PDT

Por Outras Palavras

130526-SuéciaSete anos de governos de direita desfizeram sonho de país justo e aberto. Desigualdade e violência policial crescentes atiçaram revolta dos imigrantes

Por Tom Peck, no The Independent | Tradução: Vila Vudu

A partir do instante em que Henrik Sedin controlou o puck, ainda bem atrás no próprio meio-campo, começou uma noite terrível em Estocolmo. Faltava pouco para as 22h, domingo passado, quando o time de superstars milionários conseguiu enfiar o puck no fundo da rede vazia do adversário: 5-1. Pela primeira vez em sete anos, e em casa, frente à própria torcida, a equipe sueca era campeã mundial de hóquei sobre o gelo.

O Ericsson Dome, na parte sul da cidade, foi ao delírio. Nos pubs irlandeses, nos elegantes quarteirões de Södermalm, rolaram rios de pints de cerveja Guinness.

Mas em Husby, subúrbio no norte da cidade, distante do centro, região superpopulosa onde vivem imigrantes, começava uma conflagração, em tudo diferente do que se via entre os suecos brancos ricos. Um shopping centre foi vandalizado e uma garagem incendiada, o que causou a evacuação dos moradores de um bloco de apartamentos. Quando a polícia chegou, foi recebida a pedradas por mascarados; dois policiais foram feridos. Num vídeo que chocou o país, um terceiro policial caído aparece sendo espancado e chutado; os agressores chutaram também a pistola que se vê no coldre do policial.

Quando o dia clareou, havia mais de cem carros incendiados; e quando os jogadores campeões erguiam a taça, em confraternização com o rei Carl XVI Gustaf no Kungsträdgården, à vista de 20 mil fãs, a Suécia já entrara na primeira manhã dos piores tumultos urbanos de toda a moderna história do país, que continuam.

Centenas de carros e dúzias de prédios foram incendiados, e há mais de 100 presos. Imagens dos policiais feridos e prédios em chamas, na rica, pacífica e igualitária Suécia, surpreenderam o mundo. Mas, para outros muitos, não foi surpresa. Há anos os sindicatos, trabalhadores dos serviços sociais, cientistas políticos, rappers, em confronto com número crescente de extremistas de direita, já contam o Conto das Duas Estocolmos – duas sociedades que coexistem numa mesma cidade dividida e não integrada. Mas nunca se vira oposição e contraste tão declarados quanto naquela primeira noite de fogo nas periferias, que sitiaram a festa do hóquei-sobre-o-gelo do centro.

Para quem estave em Londres há dois anos, os tumultos em Estocolmo são assustadoramente familiares. Há duas semanas, começaram a circular notícias da morte de um imigrante português, 68 anos, atacado pela polícia dentro do apartamento onde morava em Husby, depois levado ao hospital, onde morreu. Ele teria sequestrado uma mulher, refém no apartamento, e teria recebidos os policiais com um cutelo de açougueiro na mão.

Mas Megafonen, grupo que milita por mudanças sociais nos subúrbios de Estocolmo publicou fotos de um saco do tipo que a Polícia usa para remoção de cadáveres sendo retirado do mesmo apartamento, num carro que parte em seguida. Não uma ambulância: um carro. Mais tarde se soube que a dita "refém" era, de fato, o cadáver da mulher do imigrante português, de 30 anos. Segundo seu cunhado, o homem tinha na mão uma faca de cozinha, não um cutelo de açougueiro; e que tentava defender-se contra uma gangue de mascarados que dias antes perseguira ele e sua mulher. Quando a Polícia bateu à porta do apartamento, a mulher contara ao cunhado, o marido supôs que fossem os mascarados da gangue que os seguia; gritou para assustá-los, talvez um pouco assustadoramente demais; e foi morto a tiros pela polícia.

Ativistas de esquerda, alvo preferencial, hoje, da Polícia sueca, que os acusa de insuflar os tumultos de rua, dizem que quando essa versão dos eventos chegou aos subúrbios, ajudou a incendiar quatro anos de ressentimento contra a brutalidade policial – queixa já antiga e muito repetida nos subúrbios, onde já praticamente não se veem suecos brancos – e contra o desemprego alto e crescente, a sempre crescente desigualdade, a falta de oportunidades para todos.

Mas, dessa vez, os tumultos espalharam-se pela cidade, também para os subúrbios a oeste e ao sul de Estocolmo e para outras cidades – Malmö, Gothenburg, Örebro – onde escolas, restaurantes e delegacias de Polícia foram incendiadas. É difícil determinar as motivações originais. Mas, o que quer que fosse, na origem, o movimento já está hoje invadido por gangues de rua, pequenos delinquentes, ou grupos de mascarados que, simplesmente, tomaram conta dos bairros mais pobres. Parece que há algo de podre no estado sueco.

A escala dos tumultos não se compara ao que se viu em Paris em 2005 ou em Londres há dois anos, onde aconteceram em áreas distantes do centro das capitais. Na Suécia não houve mortos e houve baixo número de feridos. O pequeno subúrbio de Husby é local agradável de viver, construído para suecos ricos – que já não vivem ali. Nem de longe se parece com o conjunto habitacional Broadwater Farm, de Tottenham, marco zero dos tumultos em Londres.

Hoje, 80% dos que vivem em Husby, Estocolmo, são imigrantes, a maior parte dos quais ali chegaram como refugiados, escapados dos mais diferentes cantos do mundo em guerra – Iraque, Irã, Afeganistão, Somália, Curdistão e, mais recentemente, da Síria – atraídos pela propagada hospitalidade com que os suecos recebem refugiados. Mas o desemprego entre os jovens é alto, pelo menos para os padrões suecos: 6%.

"Estão dizendo que é por causa daquele homem que foi morto" – disse Sadiya, 13 anos, somaliana, que faz um curso de arte e artesanato no centro de Husby.  "Acho que querem chamar a atenção da Polícia. O pessoal que está fazendo essas coisas é pouco mais velho que eu. Por que se preocupariam com o desemprego? São crianças."

Na parte externa do centro onde são dados os cursos, durante o dia, mesmo no auge dos tumultos, a vida prosseguiu praticamente normal. As floristas continuaram a vender suas flores, fileiras de pequenos vasos plantados, alinhados na parte externa da loja. Os prédios de apartamentos, todos de média altura, têm jardins externos, bem cuidados. Mas todos os vidros da estação do metrô estão quebrados. As paredes que protegiam um telefone público foram destruídas. Restou o telefone, preso a um poste, no centro do que parece ser uma piscina de vidros quebrados. Na rua, um ônibus articulado foi explodido e incendiado. Há fragmentos de metal e vidro por todos os lados. Os carros incendiados já foram diligentemente removidos pelas autoridades, mas a coisa aqui parece grande demais. Uma colega de Sadiya, Sagal, diz que ninguém ali consegue dormir já há três noites.

Todas as crianças que assistem às aulas, cerca de 25, nasceram na Suécia, mas só uma é filha de pais suecos. Todas as demais são filhas de pais africanos do leste ou do meio-leste da África.

"É difícil para nós" – diz Ann-Sofie Ericson, diretora da Escola de Artes da Cidade de Estocolmo que supervisiona a área. – "19% de nossas crianças abandonam a escola a cada ano. Vivo a 15 minutos de carro daqui. Meus vizinhos são iraquianos. Quando as pessoas chegam, vêm para bairros como Husby. Alguns arranjarão emprego, educação, depois se mudam. Alguns não conseguem sair."

Quase não há pobreza absoluta, mas não é a pobreza absoluta que alimenta os tumultos e levantes urbanos. A sociedade sueca, afamada por ser igualitária, com oferta excepcional de bem-estar para todos, foi construída por 40 anos de governo da democracia social , dos anos 1930s aos anos 1970s. Mas umcrash econômico no início dos anos 90s, e o governo de centro-direita que está no poder desde 2006 impuseram inúmeras restrições ao estado de bem-estar, apesar das condições econômicas relativamente benignas.

Estudo recente da OECD revelou que a Suécia tem o mais rápido crescimento da desigualdade dos 34 países do grupo – e surpreendeu muita gente. Por isso, foi muitíssimo citado ao longo da semana que passou.

Como vários lembraram, os tumultos urbanos em Londres brotaram ao final de 30 anos de economia neoliberal de linha Thatcherita e da "Terceira Via" – com furiosa desregulamentação das finanças justificada pela ideia de que pouco importava aumentar a desigualdade social, se as condições dos mais ricos continuassem a melhorar.

O que se vê na Suécia é que a desigualdade crescente está gerando indignação e fúria também crescentes.

Em Husby, quando cai a noite – que em maio dura pouco mais de quatro horas –, grupos de jovens reúnem-se no centro, todos usando calças e camisetas largas. "Acho que tenho até sorte, por estar na Europa" – diz Baraar Mohamed, filho de somalianos, 15 anos, cujos pais garantem que não jogou pedras nem incendiou coisa alguma. – "Comparado ao pessoal na Somália, talvez seja sorte. Mas não fiz nada, nem ando com eles, e vivo aqui, e tenho de conviver com a brutalidade da Polícia, e não tenho a mesma sorte que outros suecos da minha idade. Eu sou sueco. Sou sueco."

Ken Ring, rapper sueco de origem queniana, que cresceu e ainda vive no subúrbio de Valingby, onde grupos de jovens apedrejaram vagões do metrô e incendiaram carros na 5ª-feira à noite, concorda.

"Nunca estive em lugar algum, do mundo, onde as pessoas saibam o que é a realidade de viver na Suécia" – diz ele. "Quando veem fotos dos nossos subúrbios, dizem 'não, não é Estocolmo. Deve ser Londres, Marselha.' Estocolmo é hoje uma loucura…"

Hoje com 34 anos, Ring foi nome bastante conhecido nos anos 90s, quando foi preso depois de gravar umrap em que falava de invadir o Castelo Real e estuprar a princesa Madeleine, 3ª na linha de sucessão ao trono, e que se casaria em duas semanas. Por causa do casamento, havia mobilização policial extra. Mas, depois, se reabilitou. "Onde moro vejo crianças de 14, 15 anos usando heroína. Tenho um filho de 12. Há dois anos, outra criança apontou uma arma para a cabeça do meu filho e disse 'olhe só, você, assim, fica mais fraco que eu'. É a Suécia hoje. E não era para ser assim."

Não era. O herói do dia, surgido dos tumultos de rua, é um bombeiro, Mattias Lassen, atingido por pedradas quando tentava apagar o fogo em casas próximas de Husby, e que, depois, publicou uma carta aberta aos que o apedrejaram, pelo Facebook.

"Podem me chamar, se seu pai bater o carro e precisar de ajuda. Posso ajudar sua irmã, se a cozinha dela pegar fogo. E nado na água gelada, para salvar seu irmão pequeno, se ele cair do bote" – escreveu ele. – Também posso ajudar sua avó, se ela tiver um infarto. E posso até ajudar VOCÊ, se acontecer de você pisar em gelo fino no lago, num ensolarado dia de março."

A maré de insatisfação cresce dos dois lados. Nas eleições gerais de 2010, o Partido Sueco Democrático – que faz campanha contra os imigrantes, regularmente descrito como partido de extrema direita, ultrapassou pela primeira vez a cláusula de barreira dos 4% de votos. Elegeu 20 deputados, para o Parlamento, de 349 cadeiras.

Na 6ª-feira à noite, com número extra de policiais nas ruas de Estocolmo, onde as coisas estavam comparativamente mais calmas, graves tumultos irromperam em Örebro, a quase 200 quilômetros a leste da capital; e em Tumba, no sul do país. Pela primeira vez, grupos de 'vigilantes' de extrema direita tomaram as ruas, depois de postarem fotos de membros do grupo, com rostos mascarados. Em Tumba, a Polícia prendeu 18 deles. A Polícia também está à caça de "uma pequena claque de agitadores profissionais de esquerda", acusados de estarem viajando de cidade em cidade, usando carros particulares, disseminando táticas que conhecem bem, como destruir calçadas para soltar as pedras, e provocando agitação por onde passam.

A grande maioria dos presos durante os primeiros dias de tumultos de rua já foram libertados. O primeiro a comparecer ante o juiz foi um arrependido e trêmulo jovem de 18 anos. "Nunca deveria ter-me juntado a eles" – disse ele. – "Queria ser bombeiro. Agora, acho que nunca conseguirei."

Ontem, em Åkersberga, 60 quilômetros ao norte do centro de Estocolmo, ainda havia incêndios de carros à luz do dia, com a Polícia perseguindo grupos suspeitos, em helicópteros. Ken Ring, embora condene firmemente a violência geral, ainda tem esperanças. "Essas coisas ajudam a chamar a atenção. Os jornais falam, as televisões mostram. O governo não poderá deixar de ver o que está acontecendo."

Depois que acabarem os incêndios provocados, com os ativistas de esquerda, os extremistas da direita fascista e os imigrados irados já julgados em tribunais justos, talvez, então, sim, o mundo perceba o que muitos suecos já perceberam: desde os anos neoliberais, as coisas na Suécia já não são o que parecem.

26/05/2013

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Conheça o lado negro do Chocolate. Crianças em trabalho escravo

Posted: 26 May 2013 11:19 AM PDT

Por No Mundo do Livros

Antes de comer um delicioso chocolate ou tomar um gole de chocolate quente, você já parou para pensar de onde esse chocolate vem? A Organização Internacional do Trabalho estima que entre 56 e 72 milhões de crianças estão trabalhando na agricultura  africana, muitos em suas próprias fazendas familiares. Os sete países que são os maiores produtores de cacau são a Indonésia, Nigéria, Camarões, Brasil, Equador, Costa do Marfim e Gana. Os dois últimos respondem juntas por quase 60%  da produção de cacau global.

O premiado jornalista dinamarquês, Miki Mistrati, decide investigar os boatos de que o chocolate que consumimos é produzido com o uso de trabalho infantil e tráfico de crianças. Sua busca atrás de respostas o leva até Mali, na África Ocidental, onde câmeras ocultas revelam o tráfico de crianças para as plantações de cacau da vizinha Costa do Marfim. A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau, respondendo por cerca de 40% da produção mundial. Empresas como a Nestlé, Barry Callebaut e Mars assinaram em 2001 o Protocolo do Cacau, comprometendo-se a erradicar totalmente o trabalho infantil no setor até 2008. Será que o seu chocolate tem um gosto amargo? Acompanhe Miki até a África para expor "O Lado Negro do Chocolate".Veja uma resposta da indústria do chocolate aqui  e o documentário você assista abaixo:

25/05/2013

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Para entender a exploração do pré-sal

Posted: 24 May 2013 04:56 PM PDT

Diante da notícia de que o Governo resolveu marcar para outubro a primeira licitação para a exploração de uma nova área do pré-sal, muita confusão  vai se formar na cabeça das pessoas e é preciso fazer alguns comentários.

A primeira delas é afirmar, sem medo de patrulhismos, que isso não é o ideal, mas o possível. O desejável seria que a exploração ficasse totalmente em mãos do Estado brasileiro, sem participação alguma de empresas privadas e, mais ainda, estrangeiras.

Mas o volume de petróleo – e o de investimentos necessários à sua retirada – é tão grande que isso não é, objetivamente, factível. Uma simples olhada nas projeções da Agência Internacional de Energia da ONU  sobre as exportações de petróleo em 2035, no gráfico aí em cima, dá ideia do tamanho do desafio.

Só o campo de Libra, o primeiro – e único – do pré-sal que irá a leilão este ano, tem reservas recuperáveis entre  8 e 14 bilhões de barris. Se estiver na estimativa máxima, essas reservas equivalem a todo – vejam bem, todo mesmo – o petróleo contido nas reservas provadas do país até hoje.

Mas para esse petróleo valerá a nova lei do petróleo, que nada tem a ver com o regime de concessão implantado por Fernando Henrique Cardoso e vigente até agora. Essa regulamentação dá à Petrobras a condição de operadora das perfurações e da produção, com uma participação mínima de 30% nos poços de Libra.

E nada impede, sobretudo agora que a empresa fez caixa com o lançamento de títulos no mercado internacional, que ela aumente sua parcela. Mesmo assim, é possível que ela faça novas captações, para poder aumentar seu poder de negociar a formação de consórcios de exploração.

E, ainda, quando o Governo entender que for conveniente, pode adjudicar áreas, sem leilão ou outra forma de licitação, à Petrobras.

Além dessa fatia, o Brasil ficará com uma percentagem – o que vai ser propriamente o "lance" do leilão – do petróleo produzido que exceder aos custos da exploração – daí uma das necessidades de a Petrobras ser a operadora exclusiva – além de dar à empresa o controle das encomendas de equipamentos e serviços, o que garante o máximo de indução à economia brasileira, o que não ocorreria com empresas estrangeiras, que tenderiam a adquirir fora todo o necessário para desenvolver e operar os poços.

Fica assegurado, assim, controle da estatal dos pontos de medição da extração, que jamais ficarão sob responsabilidade de empresas privadas. Isso é ainda mais importante porque parte do petróleo será exportada centenas de quilômetros mar adentro, sem sequer vir à terra, gerando insegurança sobre o volume produzido.

Nada disso acontece no atual modelo, o de concessão.

Ainda é cedo para especular de quanto serão as ofertas, mas certamente não serão pequenas, tanto nos valores pagos pela concessão quanto na parcela entregue ao Estado brasileiro.  Mas, ao contrário, já se sabe que serão imensas as necessidades de capital para colocar em operação essas áreas a curto e médio prazo.

Calculados os custos de produção à razão de 8,5 dólares o barril, o mesmo usado na operação de capitalização da empresa, em 2010, isso pode levar os investimentos e custos operacionais, só em Libra, a mais 100 bilhões de dólares.

E a Petrobras não teria como fazer frente a isso senão se endividando de maneira suicida, porque boa parte dos investimentos precede a produção e os preços do petróleo não são previsíveis. Logo, também não é o fluxo temporal de receitas. Nem, também, o que isso impacta sobre a velocidade de extração, vencida a etapa de implantação dos poços de produção.

Traduzindo: é muito importante "controle da torneira", porque reserva de petróleo é um estoque o qual se vende não apenas conforme a procura, mas do preço de mercado.

Embora as multis do petróleo estejam interessadíssimas nos campos do pré-sal, o modelo vai ser mais convidativo às empresas estatais, como é o caso das chinesas, que se pouparam do leilão de petróleo de extração convencional para esperar pelas áreas do pré-sal. A razão é simples: sua visão de negócios é mais estratégica que imediatista e a negociação com a petroleira estatal brasileira será facilitada pelas relações governo a governo.

Se a licitação, como é provável, subdividir o campo em muitos blocos, isso será ainda mais conveniente ao país, pela multiplicidade de parceiros possível à Petrobras, reduzindo percentualmente a participação de cada um dos outros sócios na área total de exploração e, portanto, elevando a concentração de poder decisório da estatal.

É por essas razões que a Petrobras está se preparando financeiramente para o imenso desafio de explorar o campo gigante de Libra. Ela irá, certamente, ao limite de suas forças.

E ela tem forças imensas, mas o que vem pela frente é tão grande que, mesmo assim, elas não bastariam para tirar do fundo do mar o oceano de petróleo que está lá.

Por: Fernando Brito

13/05/2013

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Chico Buarque fala sobre racismo e hipocrisia

Posted: 13 May 2013 05:49 AM PDT

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Músico e compositor comenta o racismo claro ou dissimulado de boa parte dos brasileiros, diz que as pessoas “pensam que são brancas” e fala de sua revolta ao descobrir que sua filha, casada com o músico Carlinhos Brown, foi forçada a se mudar em razão das agressões que seu filho, neto de Chico, sofria dos moradores; “O nosso valor é a miscigenação”, ressalta o escritor

Por 247, com Blog do Milton Ribeiro - Chico Buarque comenta o racismo claro ou dissimulado de boa parte dos brasileiros. Ri daqueles que insistem em ignorar os séculos de miscigenação em nosso país. Em seu depoimento, Chico fala de sua revolta ao descobrir que sua filha, casada com o músico Carlinhos Brown, foi forçada a se mudar em razão das agressões que seu filho, neto de Chico, sofria dos moradores.
Assista abaixo o depoimento do escritor, músico e compositor:

07/05/2013

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Com Cachoeira preso, lucro da Abril despencou em 2012 e circulação da Veja caiu

Posted: 07 May 2013 06:45 AM PDT

Com Cachoeira preso, lucro da Abril despencou em 2012 e circulação da Veja caiu
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/05/com-cachoeira-preso-lucro-da-abril.html
Com Cachoeira preso, lucro da Abril despencou em 2012 e circulação da Veja caiu</p>  <p>http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/05/com-cachoeira-preso-lucro-da-abril.html

Capas falsas na web tentam confundir o leitor, esclarece Veja

Posted: 07 May 2013 04:57 AM PDT

Redação Comunique-se

Comuns em blogs e nas redes sociais, montagens feitas a partir do layout da revista Veja incomodaram o veículo, que resolveu falar sobre o assunto. Em matéria publicada nesta quinta-feira, 17, a publicação da Editora Abril esclarece a questão e aconselha o leitor a consultar endereços oficiais no caso de dúvidas.

"Quem divulga imagens que simulam a revista quer brincar, elogiar, criticar – ou, eventualmente, confundir. No último caso, a escolha é infeliz. Para dirimir dúvidas, o leitor deve recorrer a endereços oficiais de VEJA na rede", diz a abertura da matéria.

Ao longo do texto, Veja desmente algumas das paródias mais conhecidas: a entrevista de Darth Vader, da saga Guerra nas Estrelas; a montagem que anuncia benefícios da mistura de leite com manga e a capa em que o ex-presidente Lula leva um lenço ao rosto com a chamada “Interpol descobre – Desvio de mais de US 500 bilhões em paraíso fiscal em nome de 18 integrantes do PT”. No caso, a revista apontou o erro na representação da moeda americana (“US” em lugar de “US$”), mas destacou semelhanças como o logotipo da Abril e o destaque para outros assuntos.

De acordo com a revista, uma outra criação do Photoshop chamou atenção dos leitores de maneira mais séria. Dias depois de publicar detalhes do mensalão confidenciados por Marcos Valério, operador do esquema, uma edição falsa foi impressa e distribuída a jornalistas e blogueiros de São Paulo com uma capa semelhante, mas tendo Lula como personagem central. O texto dizia: “Ih, Lula – O Ki-suco ferveu", entregando a farsa.

No fim da matéria a semanal lembrou algumas de suas capas que, segundo o próprio veículo, tornaram-se importantes registros históricos. É o caso da edição que tratou da promulgação do AI-5, em dezembro de 1968, ilustrada pela foto do general Costa e Silva e do exemplar que resumiu o afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência, em outubro de 1992.veja-capas-falas-size-598

06/05/2013

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Um jovem do Iêmen fala dos ataques devastadores dos drones a seu país

Posted: 06 May 2013 05:44 AM PDT

Por Glenn Greenwald Diário do Centro do Mundo

"Ataques aéreos estão fazendo com que mais e mais iemenitas odeiem a América e se unam a militantes radicais", diz Ibrahim Mothana.

Um garoto aponta os estragos de um ataque

Um garoto aponta os estragos de um ataque

Ibrahim Mothana é um escritor e ativista iemenita de 24 anos. Eu tomei conhecimento dele quando escreveu um extraordinário artigo no New York Times no ano passado, incitando americanos a perceber como foi autodestrutiva e contraprodutiva a escalada da campanha dos drones de Obama em seu país, dizendo:

"Ataques aéreos estão fazendo com que mais e mais iemenitas odeiem a América e se unam a militantes radicais, não movidos por ideologia, mas sim por um sentimento de vingança e desespero…"

"O antiamericanismo é muito menos prevalente no Iêmen que no Paquistão. Mas, ao invés de ganhar os corações e mentes dos civis iemenitas, a América está alienando-os, matando seus parentes e amigos… Certamente, pode haver ganhos militares de curto prazo ao matar líderes militantes nestes ataques, mas eles são minúsculos em comparação com os danos a longo prazo. Uma nova geração de líderes está surgindo espontaneamente em retaliação aos ataques furiosos a seus territórios e tribos"

"Infelizmente, as vozes liberais nos Estados Unidos estão em grande parte ignorando, senão concordando, com as mortes de civis e as execuções extrajudiciais no Iêmen – incluindo o assassinato de três cidadãos norte-americanos em setembro de 2011, incluindo rapa de 16 anos. Durante a presidência de George W. Bush , a revolta foi tremenda. Mas hoje há pouca indignação, embora o que esteja acontecendo seja em muitos aspectos uma escalada da política de Bush.

"Defensores dos direitos humanos devem falar. A política de contraterrorismo dos Estados Unidos não apenas deixa o Iêmen menos seguro e reforça o apoio à AQAP [Al-Qaeda na Península Arábica], mas também poderia, no fim das contas, deixar em perigo os EUA e o mundo inteiro."

Desde então, eu vi seu trabalho e tenho falado periodicamente com ele sobre vários assuntos, e estou impressionado com a forma cuidadosa, inteligente e sofisticada com que ele pensa sobre essas questões. Ibrahim foi convidado a viajar a Washington para testemunhar perante uma subcomissão do Senado que se reuniu na semana passada para examinar a legalidade do programa de drones de Obama. Ele não pôde comparecer e um de seus amigos, Farea al-Muslimi, testemunhou em seu lugar de maneira eloquente e poderosa.

Mas Ibrahim havia preparado o que teria sido o seu discurso de abertura para o Comitê e o enviou para mim (o Comitê também concordou em publicá-lo nos anais do Congresso). Estou publicando-o porque ele é extremamente perspicaz e comovente, e porque os americanos ouvem muito pouco as pessoas dos países que seu governo continua a bombardear, e de qualquer forma eu realmente espero que tanta gente quanto possível gaste um tempo lendo suas palavras:

Ibrahim Mothana

Ibrahim Mothana

O Iêmen e os Estados Unidos da América

Sr. Presidente e membros do comitê, eu gostaria de informá-los sobre o meu país. O povo de nossos dois países compartilha muitos dos mesmos sonhos, embora muitos americanos possam não perceber isso, em parte por causa de uma mídia que se concentra no terrorismo e abre mão de uma compreensão mais ampla do Iêmen. A Al-Qaeda e seus associados no Iêmen, na estimativa mais extrema, têm alguns milhares de membros, não mais do que um pequeno fragmento dos nossos 24 milhões de habitantes que esperam e sonham com um futuro melhor – que lhes ofereça dignidade, liberdade e estabilidade econômica.

Nós somos o país mais pobre do Oriente Médio, com mais de 50% das pessoas vivendo com menos de dois dólares por dia. Estamos ficando sem água e petróleo, a nossa principal fonte de receita externa. Nossa nação tem sido devastada por décadas de conflitos e ​​governos corruptos. Muitos dos meus amigos de infância estão desempregados e vivem uma luta diária para manter as suas necessidades humanas básicas. Em 2011, milhões de iemenitas que viveram décadas sob um governante autocrático organizaram uma revolução em grande medida pacífica, pedindo democracia, responsabilidade e justiça, os mesmos valores acalentados na democracia americana.

Muitos jovens, como eu, cresceram olhando para a América e seu povo em busca de inspiração. Entre muitas outras coisas que enriqueceram meus anos de adolescência, estão Cosmos, de Carl Sagan, os discursos de Martin Luther King, o sarcasmo de Mark Twain e os programas de TV americanos. A promessa de igualdade e liberdade parecia cumprida quando os Estados Unidos elegeram seu primeiro presidente negro. Com uma onda de felicidade, muitos iemenitas celebraram a posse de Obama e ele era mais popular entre os meus amigos do que qualquer outra figura do Iêmen. Eu fui inspirado pela promessa do presidente Obama de que "uma nova era de liderança que vai trazer de volta a credibilidade dos Estados Unidos em questões de direitos humanos".

Mas a felicidade e a inspiração deram lugar à miséria. Minha admiração pelo sonho americano e as promessas de Obama foram ofuscadas pela realidade dos drones e do pesadelo no Iêmen.

Nos últimos anos, tenho visitado e trabalhado nas áreas do Iêmen que os EUA vêem como a vanguarda da Al-Qaeda e de forças associadas a ela. Eu testemunhei como o uso de drones por parte dos EUA contra supostos alvos militares aumentou o sentimento antiamericano no meu país, o que levou alguns iemenitas a participar de grupos de militantes violentos, motivados mais por um desejo de vingança do que por convicções ideológicas.

Nós iemenitas tivemos a primeira experiência com assassinatos seletivos do governo Obama em 17 de dezembro de 2009, com um ataque com mísseis de cruzeiro em Al-Majala, um vilarejo em uma área remota do sul do Iêmen. Esse ataque matou 44 pessoas, incluindo 21 mulheres e 14 crianças, de acordo com grupos de direitos humanos internacionais, incluindo a Anistia Internacional. O impacto letal da morte de inocentes durou por muito tempo. Em 9 de agosto de 2010, dois moradores foram mortos e 15 ficaram feridos na explosão de uma bomba de fragmentação que ficou daquele ataque.

Após esse acontecimento trágico em 2009, tanto iemenitas quanto autoridades norteamericanas continuaram uma política de negação que, finalmente, danificou a credibilidade e a legitimidade do governo iemenita. De acordo com um cabo diplomático dos EUA que vazou, em uma reunião em 2 de janeiro de 2010, o vice-primeiro-ministro Rashad al-Alimi disse que ele tinha apenas "mentido", afirmando que as bombas no ataque al-Majala foram retiradas pelo iemenitas. O então presidente Ali Abdullah Saleh fez uma promessa ao general Petraeus, em seguida: "Nós vamos continuar dizendo que as bombas são nossas, não de vocês". Esse conluio foi uma injúria aos iemenitas.

No Iêmen, sabemos que a confiabilidade da inteligência dos Estados Unidos para lançar e denunciar ataques aéreos é questionável. Por exemplo, as autoridades iemenitas afirmaram três vezes que Saeed al-Shiri, o segundo no comando da base da Al Qaeda na Península Arábica (AQAP), foi morto por um ataque de drones. De acordo com a mídia internacional, pelo menos outros 30 supostos militantes foram mortos nesses ataques. Mas, recentemente, em 08 de abril de 2013, Shihri parecia estar vivo. Então, quem eram as dezenas de pessoas mortas nos três bombardeios que supostamente o mataram?

Nunca se sabe quando um drone vai aparecer, mas o estrago é certo

Nunca se sabe quando um drone vai aparecer, mas o estrago é certo

Na maioria dos casos, iemenitas não têm nenhuma explicação sobre o porquê de supostos militantes serem mortos e a ameaça que elas representam para os Estados Unidos. Se a inteligência não identificou Shihri, os supostos militantes que foram mortos nesses incidentes podem ser apenas pessoas aleatórias que estavam no lugar errado.

Nós iemenitas estamos profundamente preocupados com o fato como a administração Obama parece estar evitando a questão das detenções indefinidas de Guantánamo e a execução de suspeitos sem chance de defesa. Um exemplo é o assassinato seletivo de Adnan al-Qadhi em 7 de novembro de 2012, um tenente-coronel do exército iemenita acusado de ser um militante da Al-Qaeda em Sanhan, bairro 22 milhas a leste da capital iemenita e a 15 minutos de carro de onde eu moro. Sanhan está perto de uma das maiores bases da Guarda Republicana, no momento uma das unidades militares mais poderosas do Iêmen. De acordo com seus familiares, autoridades iemenitas poderiam ter detido Adnan quando quisessem. O irmão de Adnan, Hemyar al-Qadhi, me disse: "Adnan foi preso e liberado pelo governo em 2008 e nós mesmos o teríamos entregado às autoridades se eles nos tivesse pedido novamente."

Durante minhas visitas a Abyan, Shabwa e Radaa, três áreas do centro e do sul do Iêmen, onde os EUA têm realizado assassinatos seletivos, eu fiquei impressionado com a tristeza das reuniões de família vítimas de drones, que sofrem de uma combinação infeliz de perda pessoal e carga econômica devastadora. Muitos dos filhos de vítimas de ataque que eu vi foram severamente desnutridos e famílias perderam seu principal provedor financeiro. Para muitos dos jovens, a morte parecia um fardo mais fácil do que a vida. Nesse panorama desolador, juntaram-se à luta contra o governo.

Com aviões sobrevoando 24/7, as pessoas estão vivendo em constante medo e ansiedade ante a possibilidade de um novo ataque. Durante minhas visitas a essas áreas, eu presenciei o medo. Senti-me como Adel al-Jonaidi, um estudante colegial que vive em Radaa, quando ele me disse: "Sempre que drones estão pairando na área, é como estar num estado de espera sem fim para a execução."

Quanto mais injustificada a morte de uma vítima de drones, mais raiva ela cria no seio das comunidades locais. Reação irada como a que se seguiu à morte num ataque de drone de Salem Ahmed Bin Ali Jaber, um clérigo moderado que muitas vezes denunciou a violência e se opôs publicamente à al-Qaeda. Tais ataques põem em xeque as alegações dos EUA de que eles são cirúrgicos, já que o número de combatentes da AQAP aumentou de algumas centenas em 2009 para alguns milhares em 2013, de acordo com estimativas do governo iemenita e norte-americanas.

Em outro ataque frustrado, um míssil atingiu uma van no centro de al-Bayda em 02 de setembro de 2012, matando 12 civis, três deles crianças. A imprensa local e internacional, inicialmente, citou autoridades iemenitas anônimas dizendo que o alvo eram militantes, mas a mídia estatal mais tarde admitiu que um "acidente" matou civis. Durante uma recente visita a Radaa, a cidade perto do local do ataque, eu conheci Mohamed Mabkhoot, um parente de um dos civis que foram mortos. Mabkhoot explicou como, meses depois do ataque, ainda cresce a raiva da apatia e da incapacidade do governo iemenita em trazer justiça para os afetados pelo ataque.

"Nossas vidas não são inúteis e é senso comum que as pessoas começam a odiar a América quando seus parentes e familiares inocentes são mortos. Jovens estão desesperados e vão lutar até morrer se não lhes resta nada para viver", ele me disse.

Ataques aéreos e de intervenção militar dos EUA são o grito de guerra que a Al-Qaeda e suas afiliadas no Iêmen usam para recrutar mais combatentes. No Iraque, a Al-Qaeda foi criada do zero a partir de 2003, aproveitando as queixas locais que a guerra criou. Algo semelhante está acontecendo aqui no Iêmen. Durante minhas visitas a diferentes partes do meu país, mesmo que eu veja uma ampla oposição à AQAP, eu também ouço objeções à intervenção estrangeira dos Estados Unidos.

Até mesmo aliados naturais dos Estados Unidos, como líderes jovens, intelectuais e da classe média alta, sentem que os assassinatos seletivos violam a soberania do Iêmen. Muitos de nós lembramos com tristeza de uma frase de uma coletiva de imprensa do presidente Barack Obama em 18 de novembro de 2012: "Não há nenhum país do mundo que toleraria mísseis de fora de suas fronteiras chovendo sobre os seus cidadãos".

Muitos de nós, no Iêmen, acreditamos que os ataques aos líderes da AQAP podem ser contraproducentes. Os ganhos militares de curto prazo são minúsculas em comparação aos danos a longo prazo dos programas de assassinato seletivo. No lugar de um líder morto, novos líderes rapidamente emergem em retaliação furiosa.

Como Khaled Toayman, jovem de Sheikh Marib e filho de um membro do parlamento iemenita, me disse: "Nós somos contra o terrorismo e nós procuramos viver em paz e com dignidade como qualquer outra pessoa no mundo. Eu não odeio a América e os americanos. Só quero saber por que meus pais estão mortos".

Em minhas visitas às áreas afetadas por ataques aéreos, observei um sentimento crescente de que a América é parte de um problema e não uma solução. No Iêmen, é impossível vencer uma guerra com ataques aéreos se os serviços básicos e necessidades humanas permanecem insatisfeitos. Por um pedaço de pão, você pode empurrar um jovem faminto, desesperado e com raiva a lutar pela al-Qaeda, talvez independentemente de suas convicções ideológicas.

Cena comum no Iêmen

Cena comum no Iêmen

Conclusão

Sr. Presidente e membros do comitê, nós, iemenitas, somos os que mais sofremos com a presença da Al Qaeda e nos livrarmos dessa praga é uma prioridade para a maioria das pessoas no país. Mas também vemos que não há nenhuma maneira fácil de acabar com o terrorismo. Só uma abordagem de longo prazo, que fortaleça a democracia, a responsabilidade e a justiça, juntamente com os programas sociais estruturais, pode trazer segurança ao meu país.

Quando eu peno em soluções, acho que os nossos ideais são comuns. Edward S. Herman nos oferece uma crítica e uma oportunidade em sua reflexão sobre o conceito da banalidade do mal de Hannah Arendt: "Fazer coisas terríveis de forma organizada e sistemática baseia-se em uma 'normalização'. Este é o processo pelo qual atos feios, degradantes, assassinos e indizíveis se tornam rotina e são aceitos como 'a maneira como as coisas são feitas".

Como cidadão iemenita, exorto o governo dos EUA a não normalizar crimes cometidos sob o nome do seu grande país. Apelo ao governo dos EUA que sejam transparentes em relação aos ataques autorizados no Iêmen e para compensar os civis afetados. Apelo aos Estados Unidos para refletir criticamente sobre o uso de ataques direcionados e ver como a política de contraterrorismo no Iêmen traz insegurança, e não segurança, ao meu país, à região, aos EUA, e ao mundo inteiro.

Para Paulo Moreira Leite(colunista da Isto É) oposição e STF armam golpe contra a democracia

Posted: 06 May 2013 05:32 AM PDT

Paulo Moreira LeitePor Paulo Moreira Leite na Revista Isto É

O lugar da maioria

Depois que até o ministro Joaquim Barbosa denunciou a falta de pluralismo da imprensa brasileira e admitiu sua tendência "à direita," os cidadãos de têm mais um argumento para repensar o que se passa no país.

É preciso ter a coragem de entender que o Brasil ingressou numa fase mais aguda de conflito político, real e duradouro, que irá se prolongar até o final de 2014 e a sucessão presidencial.

E atenção. Caso as urnas confirmem aquilo que dizem as pesquisas de opinião, hoje, nem mesmo a vontade soberana do eleitorado pode ser suficiente para resolver esse conflito e garantir o retorno a um ambiente de paz política e respeito constitucional.

Isso porque assistimos a uma luta que, com o passar dos anos, e sucessivas derrotas da oposição, transformou-se, mais uma vez, numa luta contra a democracia. Não vamos nos iludir. As filigranas jurídicas não estão em debate.

O que se questiona hoje é o lugar da maioria, o direito da grande massa de brasileiros ter a ultima palavra sobre os destinos do país.

A questão é o Poder de Estado, a possibilidade de retrocesso ou de novos avanços no lento, modesto mas real processo de mudanças iniciado a partir de 2003, que envolveu a sexta maior econômica do planeta e o destino de uma região cada vez mais relevante no planeta, a América do Sul.

A fraqueza até agora insolúvel da oposição, sua dificuldade em convencer a maioria da população a lhe dar seu voto explica os movimentos cada vez mais ousados, as denúncias, os ataques sem fim.

Não é de estranhar uma nova radicalização conservadora nas últimas semanas, capaz de envolver personalidades com passado democrático, como Pedro Simon, e mesmo personalidades com um passado digno de um presente melhor, como Marina Silva, capaz de ir à TV dizer obrigado a Gilmar Mendes, tornando-se a primeira candidata presidencial a agradecer a um ministro do STF como se tivesse recebido um favor.

Apesar da agitação em torno de eventuais presidenciáveis, novos, antigos e velhíssimos, a situação não mudou, pelo menos até agora.

A grande maioria do eleitorado continua dizendo monotonamente que está satisfeita com o que vê em sua casa e em seu destino. Pode ser tudo ilusão de ótica. Quem sabe seja puro marketing. Pode ser que tudo fique diferente até 2014.

Agora, isso não importa.

Os números estão ali, seja nas pesquisas encomendadas pelo governo, seja naqueles a que tem acesso a oposição. E este é o dado real, que alimenta cálculos e projetos.

Como uma porta-voz da própria imprensa com tendência "de direita", nas palavras de Joaquim Barbosa, já admitiu, em 2010, o que se quer é dar oxigênio a políticos e concorrentes que não conseguem andar pelas próprias pernas.

É assim que os  lobos vestem elegantes ternos de cordeiro sem que ninguém se pergunte pelo trabalho dos alfaiates. Mentiras nem precisam ser repetidas mil vezes para se transformar em verdades. Basta que sejam embelezadas de modo falacioso e permanente. Basta que o veículo X repercuta o que disse o Y e que nem A, nem B nem C tenham disposição para conferir aquilo que disse Z – como é, aliás, tradição da imprensa brasileira com tendência "à direita" desde 1964, quando jornais e revistas se irmanaram para denunciar a subversão e a corrupção do governo Goulart.

E aí chegamos ao calendário atual da crise, ao batimento cardíaco de maio de 2013. Ameaçada, pela quarta vez consecutiva, de se mostrar incapaz de chegar ao governo pelo voto, o que se pretende é uma mudança pelo alto, sem o povo como protagonista – mas como espectador e  sujeito passivo.

Faz-se isso como opção estratégica, definida, concebida de modo científico e encaminhada com método e disciplina.

Num país onde o artigo 1 da Constituição diz que todo poder emana do povo, que o exerce através de representantes eleitos ou diretamente, procura-se colocar o STF em posição de supremacia em relação aos demais poderes.

Como se sua tarefa não fosse julgar a aplicação das leis, mas contribuir para sua confecção ou até mesmo para  bloquear leis existentes, votadas e aprovadas de acordo com os trâmites legais.

O STF vem sendo estimulado a tornar-se guardião da agenda conservadora do país, construindo-se  como fonte de poder político, acima dos demais.

Assume um ponto de vista liberal quando debate assuntos de natureza comportamental, como aborto e células tronco. Mantém-se conservador quanto aos grandes interesses econômicos e políticos.

Sua agenda dos próximos meses envolve muitas matérias de natureza econômica e o papel do Estado na economia.  Até uma emenda constitucional que cria subsídios ao ensino privado já chegou ao tribunal. A técnica sem-voto é assim. Já que não se tem força para chegar ao Planalto nem para fazer maioria no Congresso, tenta-se o STF – e azar de quem  tem voto popular. A finalidade é paralisar quem fala pela maioria.

No debate sobre royalties do petróleo, que, mesmo de forma enviesada, traduzia uma forma de conflito entre estados ricos e estados pobres, impediu-se o Congresso de exercer suas funções constitucionais. No debate sobre fundo partidário e tempo na TV, o risco de deixar a oposição sem um terceiro nome para tentar garantir o segundo turno inspirou o PSB, oposicionista, a pedir uma liminar que impede a votação de uma lei que cumpria absolutamente todas as exigências legais para ser debatida e votada. Concordo que a lei em questão pode ser chamada de casuística.  Sou contra restrições à liberdade de organização de partidos políticos, ainda que possa lembrar que o debate, no caso, não envolve risco de prisão para militantes de partidos não autorizados, como no passado, mas TV e $$$ público, mercadorias que não caem do céu.

Sem ser ingênuo lembro que nessa matéria o ponto de vista contrário também está impregnado do mesmo defeito.

A liminar beneficia a oposição em geral e uma presidenciável em particular, que tenta encontrar-se num terceiro  partido político em menos de uma década. Até agora nem conseguiu o numero de mínimo de filiados para montar a nova legenda. Jornais informam que está recorrendo a políticos de outros partidos que, aliados no vale-tudo para o segundo turno, tentam  dar uma mãozinha emprestando eleitores de seu próprio curral. Não é curioso?

O que se quer é atribuir ao Supremo funções que estão muito além de sua competência nos termos definidos pela legislação brasileira. Não adianta lembrar de países desenvolvidos como se eles fossem a solução para todos os males.

Até porque isso não é verdade. Para ficar num exemplo recente e decisivo. Ao se intrometer nas eleições de 2000 nos EUA, impedindo que os votos no Estado da Florida fossem recontados e conferidos pelos organismos competentes, a Suprema Corte republicana deu vitória a George W. Bush – empossando, com sua atitude, o pior governo norte-americano desde a independência, em 1776.

Inconformado com a decisão da Suprema Corte, o democrata Al Gore chegou a resistir por vários dias, recusando-se a reconhecer um resultado que não refletia a vontade popular. Acabou pressionado a renunciar e retirou-se da cena política. Alguém pode chamar isso de vitória da democracia? Exemplo a ser seguido?

Em situações como a do Brasil de hoje, a atuação dos meios comunicação ajuda a criar mocinhos e bandidos, permite desqualificar o adversário e impedir que todas as cartas sejam colocadas à mesa.

O vilão da vez, como se sabe, é o deputado Nazareno Fontelles, do PT do Piauí, autor da PEC 33, que, com base na soberania popular, garante ao Congresso a ultima palavra sobre as leis que vigoram no país.

Fonteles já foi chamado de "aloprado" e até de ser um tipo que faz "trabalho sujo", além de outras barbaridades feias e vergonhosas, que servem apenas para abafar o debate político e esconder pontos importantes – a começar pelo fato de que o relator da PEC 33 foi um deputado tucano. (Este seria o que?)

Desmentindo outra mitologia sobre o tema, de que Fonteles produziu uma resposta ao mensalão, evita-se lembrar que o texto é de 2011, quando o julgamento sequer havia começado.

Conheço juristas de peso que têm críticas a PEC 33. Outros lhe dão sustentação integral.

O debate real é a soberania popular. E é desse ponto de vista que a discussão sobre a PEC 33 deve ser feita.

A pergunta, meus amigos, é simples. Consiste em saber quem deve ter a palavra final sobre os destinos do país. Vamos repetir: a Constituição diz, em seu artigo 1, que todo poder emana do povo, que exerce através de seus representantes eleitos ou mesmo diretamente.

Até os ministros do Supremo são escolhidos por quem tem voto. O presidente da República, que indica os nomes. O Senado, que os aprova.

Quem não gosta deste método de decisão deveria comprar o debate e convencer a maioria, concorda?

A bailarina que tramou a derrubada do governo do Panamá

Posted: 06 May 2013 05:26 AM PDT

Foi uma das tentativas de golpe de Estado mais estranhas da história, descrita por alguns diplomatas como uma "comédia atrapalhada".

Margot com Nureiyev

Margot com Nureiyev

O texto abaixo foi publicado, originalmente, na BBC.

Foi uma das tentativas de golpe de Estado mais estranhas da história, descrita por alguns diplomatas como uma "comédia atrapalhada".  E no centro de tudo estava uma famosa bailarina e seu marido panamenho, tentando derrubar o governo do pequeno país na América Central.

A história é agora recapitulada por uma amiga do casal, a ex-modelo britânica Judy Tatham, hoje com 87 anos e vivendo na Itália. Em uma rara entrevista sobre o tema, ela relembrou os detalhes do caso ao programa Witness, da BBC.

O ano era 1959 e a bailarina britânica Margot Fonteyn era casada com o panamenho Ricardo 'Tito' Arias. Filho de um ex-presidente do Panamá,  ele fazia parte de uma família liberal que se opunha ao regime autoritário do então presidente Ernesto de La Guardia.

"Margot achava que o marido ia virar presidente e que ela seria a rainha do Panamá", diz Judy. "O papel dela era romântico; e o meu era de ajudar uma amiga."

Num dia de abril daquele ano, as duas amigas e Ricardo tomavam café da manhã em Nova York quando a bailarina fez um estranho pedido.

"Você pode me conseguir umas camisas?", Margot perguntou à modelo, dizendo que queria as roupas em tamanho pequeno, médio e grande. A conversa foi ficando mais estranha. "Preciso de 500 camisas verdes", prosseguiu a bailarina, acrescentando que precisava também de braçadeiras que pudessem ser usadas sobre as camisas.

Nem Margot nem o marido explicaram o porquê do pedido: "Ninguém falou em revolução, e eu era educada demais para perguntar",  Judy explica.

Mesmo sem saber o que estava sendo tramado,  Judy disse que queria ser parte do plano. Tito sugeriu que a modelo fosse ao Panamá e levasse todo o material com ela.

Judy fez as malas e partiu para o Panamá sem saber como passaria com toda a carga solicitada pela alfândega. A solução veio por acaso: passeando por uma loja de departamentos, Judy viu umas caixas de absorventes femininos, comprou uma e enfiou as camisas e as braçadeiras dentro dela.

A bailarina e o marido panamenho

A bailarina e o marido panamenho

O plano deu certo: nenhuma autoridade teve coragem de parar a então bela modelo e perguntar para que ela precisava de tantos absorventes.

Depois de passar pelo controle aeroportuário sem ser perturbada, Judy rumou para a casa da família de Tito. Sem saber o destino de Margot, a amiga foi passear pelo país com o marido da bailarina, comeu em restaurantes rústicos, sem nunca ouvir menção a golpe nenhum.

Mas Rosário, irmã de Ricardo, levantou o assunto sem contar toda a história. "Você ouviu falar de uma revolução? Bem, não se preocupe. Derrubar presisdentes é a especialidade de nossa família," disse ela.

"Margot achava que o marido ia virar presidente e que ela seria a rainha do Panamá"

A amiga voltou a Nova York e só muito tempo depois soube do destino final dos uniformes e braçadeiras e do envolvimento de Margot com o suposto golpe.

Arquivos confidenciais da diplomacia britânica, divulgados em 2010, descrevem como uma "comédia atrapalhada" o ocorrido em 21 de abril de 1959 e relatam a surpreendente detenção de Margot Fonteyn na Cidade do Panamá.

A bailarina e o marido, a bordo de seu luxuoso iate, deveriam ter desembarcado e coletado munição e pessoal, para tomar o controle de uma importante rodovia panamenha.

Mas eles foram denunciados por um grupo de pescadores e tiveram de fugir. Quando Margot foi presa, Tito ainda estava desaparecido.

Ao mesmo tempo, estudantes que deveriam dar início a uma rebelião na capital foram desmobilizados antes de pegar em armas. Para completar o golpe cômico, rebeldes que seriam mandados de Cuba por Fidel Castro nunca chegaram.

Margot foi libertada com a ajuda do embaixada britânica e colocada num voo para os Estados Unidos. Telefonou para a amiga do aeroporto, mas não contou o que tinha acontecido. Com a insistência dos diplomatas britânicos em Nova York, as duas foram mandadas de volta a Londres.

"Eu fui tirada do avião pela porta do piloto enquanto ela teve que encarar a imprensa", relembra Judy. Imagens da época mostram a serena bailarina rindo da insistência dos repórteres em busca de informações sobre o envolvimento dela e do marido no golpe frustrado.

Judy nunca mais voltou aos Estados Unidos, onde tinha amigos, apartamento e emprego. A amizade com Margot acabou pouco tempo depois de elas voltarem para casa – as duas nunca mais se viram. A bailarina e o marido voltaram a viver no Panamá, onde Margot morreu em 1991, aos 71 anos.

Mais de meio século depois, Judy prefere não julgar a ex-amiga. "Margot não tinha nenhuma imaginação – e não podia, portanto, imaginar o que deu errado na tentativa de golpe. Para ela, parecia que tudo não passava de uma brincadeira, uma espécie de aventura. Ela achou tudo muito divertido – e eu também."